João Proença, secretário-geral da UGT, defende que o anúncio da queda homóloga de dois por cento dos inscritos nos centros de emprego em Abril é “um pouco enganador”. Este responsável defende que não há dúvidas de que “o desemprego aumentou” e considera que os dados não surpreendem.
Como sempre os dados sobre o desemprego em Portugal, variam consoante o objectivo.
Tem sido feito um esforço para branquear, no sentido de não fazer transparecer uma realidade cada vez mais tenebrosa.
Veja-se a história dos "estágios" do PEPAP - Programa de Estágios para a Administração Pública, que visou a admissão de não sei quantos mil licenciados nível V e técnicos de nível III e IV, para trabalhar nos organismos do Estado, a troco de um salário muito inferior ao praticado no mercado (2 salários mínimos nacionais). Muitos deles possuindo qualificações profissionais muito acima do que seria exigido a um simples estagiário.
Um dos critérios de selecção era o tempo de inscrição nos Centros de Emprego, como desempregados. Segundo o tempo de inscrição, mais de seis meses e de três a seis meses, seriam integrados ou no Grupo A ou B, respectivamente, ou ficariam de fora, sem direito de audiência.
Aconteceu que muitas dessas pessoas se encontravam inscritas nos Centros de Emprego há dois e três anos e viram-se relegadas porque quando foi pedida a confirmação, esses mesmos Centros que fornecem as estatísticas, declararam que muitos desses candidatos se encontravam inscritos apenas como "utentes" e não como desempregados. Tinham ficado administrativamente de fora porque, segundo o Instituto de Emprego, ao fim de três meses o interessado terá de renovar o seu estatuto de desempregado e efectuar nova inscrição como tal, senão vai para o ficheiro de utentes, que não conta para as estatísticas.
Por isso, a estatística do desemprego em Portugal é elaborada em função da imagem que o Governo quer fazer transparecer de si próprio.
Mas o rei vai nu!
E a propósito, quando pagarão os vencimentos aos estagiários do PEPAP. É que segundo se sabe e tem vindo na comunicação social, ainda ninguém recebeu.
Ou será que o Estado como patrão também não entra na estatística das empresas com salários em atraso?